Projeto Tartarugas Marinhas no Litoral do Rio Grande do Sul
Desde 1987 o NEMA realiza sistematicamente saídas de praia ao longo do litoral do Rio Grande do Sul, a fim de monitorar e coletar informações sobre a mortalidade de animais marinhos nesta região, como golfinhos, baleias, leões e lobos-marinhos, tartarugas marinhas... No entanto, foi a partir do ano de 2001 que notou-se um aumento considerável na mortalidade das tartarugas marinhas na região. Este dado gerou grande preocupação por parte dos técnicos do NEMA, que passaram a interessar-se em descobrir as causas e minimizar tal mortalidade. A partir disso, no final de 2003, nasce o Projeto Tartarugas Marinhas no Litoral do Rio Grande do Sul – NEMA, em parceria com o Projeto TAMAR/IBAMA e com o financiamento do PROBIO.

O Projeto Tartarugas Marinhas tem o objetivo de diminuir a mortalidade das tartarugas marinhas capturadas incidentalmente pela pesca, além de coletar sistematicamente informações sobre a interação das tartarugas marinhas com as diferentes pescarias realizadas no litoral do Rio Grande do Sul, com vistas à ações de manejo e gestão pesqueira, busca envolver as comunidades pesqueiras locais na conservação do ecossistema costeiro e marinho.
-Monitoramento de praia
-Monitoramento da pesca
-Marcação das tartarugas marinhas
-Educação Ambiental e envolvimento comunitário
Monitoramento de praia
As saídas de praia têm como objetivo dimensionar o número e as espécies de tartarugas marinhas mortas no litoral do RS e verificar sinais de interações antrópicas nestes animais.
O monitoramento é realizado mensalmente, dividido em dois percursos: área sul que compreende a Barra do Rio Grande até a Barra do Chuí (220 km) e a área norte, da Barra do Rio Grande até a Barra da Lagoa do Peixe (135 km).
Na área monitorada, tem sido registrados indivíduos mortos das cinco espécies de tartarugas marinhas que desovam no Brasil - Chelonia mydas, Caretta caretta, Dermochelys coriacea, Lepidochelys olivacea e Eretmochelys imbricata. De janeiro de 2004 a agosto de 2005 foram registradas 661 tartarugas marinhas mortas e 13 vivas, na área monitorada, pertencentes as cinco espécies de tartarugas marinhas que utilizam o litoral brasileiro, sendo 62% da espécie Caretta caretta.
A coleta sistemática de dados de tartarugas marinhas encalhadas fornece informações biológicas úteis para a conservação e manejo destas espécies.
Monitoramento da pesca
Devido à utilização do litoral do Rio Grande do Sul pelas cinco espécies de tartarugas marinhas, a intensa atividade pesqueira, a captura incidental destas espécies e o consumo das tartarugas pela comunidade pesqueira, vem sendo desenvolvido o monitoramento da pesca. Temos como objetivo, obter informações atualizadas sobre a interação das tartarugas marinhas com as diferentes pescarias artesanais e industriais realizadas no Rio Grande do Sul, de forma a ampliar as informações obtidas com a entrega de cadernos de bordo e a realização de embarques. O envolvimento dos pescadores com o projeto, fundamental para a busca e aplicação de soluções que minimizem a mortalidade das tartarugas, também é obtido através do uso de cadernos de bordo, preenchidos pelo mestre ou outro tripulante da embarcação, no qual são registradas informações sobre os lances de pesca e captura de tartarugas.
A realização das entrevistas com pescadores artesanais e industriais tem como objetivos a aproximação entre os integrantes do Projeto e os pescadores; a sensibilização dos pescadores em relação à problemática de ameaça de extinção que se encontram as tartarugas marinhas, de informá-los sobre a biologia e ecologia das tartarugas marinhas, manobra de reanimação, principais ameaças e ações que os mesmos podem realizar para minimizar os impactos sobre as tartarugas marinhas, visto que a realização de ações de educação ambiental com pescadores é dificultada pelo pouco tempo que estes permanecem em terra.
Com a realização das entrevistas, do preenchimento dos cadernos de bordo por pescadores e observadores de bordo estão sendo coletadas informações de grande importância para a conservação das tartarugas marinhas e elaboração de medidas mitigadoras.
Coleta de dados - marcação

A fim de conhecer melhor as rotas migratórias, o comportamento de desova e o número de tartarugas marinhas que ocorrem em uma determinada região, o Projeto Tartarugas Marinhas, seguindo o protocolo de marcação do Projeto TAMAR/IBAMA, utiliza placas metálicas numeradas colocadas nas nadadeiras das tartarugas marinhas. Ao encontrar uma tartaruga marinha marcada, faça o seguinte:
Não retire as placas metálicas;
Anote o número da placa, o local e a data da ocorrência;
Entre em contato com o NEMA pelo telefone: (53) 3236-2420
Educação Ambiental: envolvimento das comunidades pesqueiras
Para a realização efetiva de ações de conservação o envolvimento com as comunidades locais é imprescindível pois é através de processos educativos baseados no respeito, auto-estima e empoderamento, que as comunidades locais têm se engajado em programas de conservação.
Sendo assim, o Projeto desde sua concepção procura envolver a comunidade pesqueira no desenvolvimento de suas ações, seja ao engajar pescadores na coleta de dados sobre as tartarugas marinhas, seja no envolvimento com as escolas costeiras através da educação ambiental, ou na participação do projeto em eventos comunitários.
Buscamos promover, estimular e ampliar a compreensão da importância da conservação da diversidade biológica e das medidas necessárias a esse fim, através das atividades de educação ambiental nas escolas costeiras, as quais propiciam o despertar da comunidade para o tema da conservação das tartarugas marinhas ao gerar o envolvimento dos estudantes e suas famílias nas atividades realizadas na escola. Até 2006, foram realizadas 50 atividades de Educação Ambiental em escolas de Ensino Fundamental dos municípios do Rio Grande e São José do Norte no Rio Grande do Sul e na cidade de Passo de Torres em Santa Catarina. Nas quais participaram um total de 1.179 estudantes do ensino fundamental.
Em outubro de 2004, o Projeto Tartarugas Marinhas passou a oferecer cursos de desenvolvimento artístico para mulheres da comunidade pesqueira da 4ª Secção da Barra do Rio Grande. A realização destes cursos objetivou: desenvolver a capacidade artística das participantes, promover a integração na comunidade, propiciar a valorização local e aumentar a auto-estima das mulheres.
A partir disto, as participantes decidiram formar o Grupo de Artesãs da Barra (GAB), para dar continuidade ao trabalho artesanal que vinham realizando. Neste trabalho retratam os animais marinhos e os atrativos turísticos da região e procuram transmitir mensagens que consideram importantes como a valorização e a conservação da sua cultura e da biodiversidade do lugar onde vivem. No Artesanato da Conservação os artigos trazem consigo a mensagem da conservação dos animais que ocorrem na região e que estão ameaçados de extinção, sendo as tartarugas marinhas o “carro chefe” da produção.
Trabalhos científicos
Captura incidental de tartarugas marinhas no estuário da Lagoa dos Patos e região costeira adjacente – RS- Brasil. Monografia 2006. Autor: Leonardo Martí da Silva
Relatório Final das Atividades do Subprojeto Manejo e Conservação das Tartarugas Marinhas
no Litoral do Rio Grande do Sul. NEMA, 2006.
El impacto generado por las pesquerías em las tortugas marinas em el Oceáno Atlántico Sud Occidental. WWF/Proyecto Karumbé/PRICTMA/NEMA, 2006.
Elaboração de um SIG (SITARS) para os encalhes e capturas incidentais de tartarugas marinhas no Rio Grande do Sul. Monografia 2005. Autor:Tiago Borges Ribeiro Gandra
Livro de Resumos da II Jornada de Conservação e Pesquisa de Tartarugas Marinhas no Atlântico Sul Ocidental. NEMA, 2005.
Encalhes e interação de tartarugas marinhas com a pesca no litoral do Rio Grande do Sul. Monografia, 2004. Autora: Danielle da Silveira Monteiro
Distribuição espacial e temporal das tartarugas marinhas presentes no litoral do Rio Grande do Sul.
Monografia, 2003. Autora: Juliana Doyle Lontra
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